Como é viver de Jiu Jitsu fora do Brasil? - Entrevista exclusiva com Thiago Stefanutti


Publicado em 18/09/2020 por: Marcelo Melo



Olá a todos nossos leitores, antes de entrar com o nosso entrevistado de hoje (Thiago Stefanutti), vou contar uma passagem da minha vida. A alguns anos atrás eu estava vivendo fora do Brasil, fui com trabalho certo em um restaurante, porém com pouco mais de um mês lá as coisas mudaram, o trabalho no restaurante não deu certo e eu fiquei desempregado do outro lado do mundo, longe de família e de amigos. Então comecei a procurar trabalho, porém o que apareceu foi algo que eu não estava esperando, algo que eu nem imaginava que poderia ser meu trabalho, o Jiu Jitsu. Em alguns meses eu dava aula em três academias, durante um tempo fora do Brasil, o Jiu Jitsu foi minha atividade principal, foi o que me salvou de ficar sem dinheiro em outro país. Porém eu não estava preparado para ter o Jiu Jitsu como uma profissão, as coisas poderiam ter sido melhores se eu não tivesse levado os meus anos treinando Jiu Jitsu só como lazer, mas também como um curso profissionalizante. Muitas pessoas pelo mundo vivem do Jiu Jitsu, então ele não é só um hobby, ele também é uma profissão.


Pensando nisso, nessa entrevista de hoje a Revista Omoplata traz o faixa preta: Thiago Stefanutti da Absolute MMA. Stefanutti vive a 10 anos na Austrália como profissional de Jiu Jitsu, sua equipe é hoje uma das maiores desse mesmo país. Ele vai nos contar como o Jiu JItsu se tornou sua profissão, como é dar aula em outro país, vai trazer dicas para quem pensa em viver do Jiu Jitsu, até mesmo para quem ainda não pensa, pois a vida muda muito rápido e às vezes aparecem oportunidades que não esperamos, então é sempre bom estarmos preparados.


Confira a entrevista:


Omoplata: Como e por que começou no Jiu Jitsu?

Stefanutti: Devido ao meu professor Paulo Streckert, somos amigos de infância e após ele começar a praticar o Jiu-Jitsu sabendo que sempre pratiquei artes marciais desde muito novo, ele insistiu pra que eu conhecesse o Jiu-Jitsu e aqui estou até hoje!


Omoplata: O que te levou a dar aulas?

Stefanutti: Desde que comecei no Jiu Jitsu sabia que estaria conectado com o esporte pro resto da vida. Eu sempre quis viver do esporte e dar aulas parecia ser um caminho natural para seguir esse objetivo. Comecei a dar aulas no ano de 2004 na cidade de Hortolândia/SP e tenho orgulho de ser pioneiro do esporte nesta cidade e responsável pela formação de vários faixas pretas que hoje são referências do esporte na cidade.


Omoplata: Como o Jiu Jitsu se tornou sua profissão?

Stefanutti: Como disse na resposta anterior sempre tive o objetivo de viver da luta. Minhas turmas em Sumaré e Hortolândia vinham crescendo bem, sempre levei a sério e era muito profissional em tudo que fazia desde o início. Havia uma clara dificuldade em viver somente com o que ganhava no Brasil, mas já era profissional desde o primeiro dia. Minha única dificuldade era viver só com o que ganhava com as aulas e me mantinha com outra profissão que tinha. Foi quando decidi a aceitar o convite de dar aulas no exterior e viver exclusivamente do Jiu-Jitsu. Acho que sua pergunta era relacionada a quando o Jiu-Jitsu se tornou minha única profissão, então a partir de 2010 quando me mudei pra Austrália


Omoplata: Você estava preparado para ter o Jiu Jitsu como profissão?

Stefanutti: Essa na verdade é uma ótima pergunta, na verdade acredito que 100% dos professores de Jiu-Jitsu que não tenham formação acadêmica em educação física e método não estejam. No meu caso tínhamos um método definido na academia mas faltam muitos outros aspectos para vc poder afirmar que está preparado. Desde como receber um aluno e mantê-lo na academia, separação de níveis, montagem de grade horária, preparação e planejamento de aulas, lidar com grupos e seus problemas internos, preparação pra competição, preparar eventos como graduação, eventos para socialização e união do grupo, método de graduação pra faixas e graus, filosofia, regras, administração de academias, etc São muitos aspectos que envolvem a preparação de um profissional de Jiu-Jitsu e temos apoio ZERO de federações que na minha opinião teriam a obrigação de preparar novos professores e aperfeiçoar aqueles que já estão no mercado. No momento as federações fazem bem a parte de organização de eventos, preparação de árbitros e cadastro de graduados, espero ver num futuro próximo a ajuda na formação de professores. No meu caso fui buscando informações e continuo fazendo por conta própria, movido pela vontade de evoluir e pelo amor a profissão. Hoje me sinto preparado, mas com certeza nem sempre foi assim !


Omoplata: Como é dar aula na Austrália?

Stefanutti: É muito legal, vem sendo uma experiência extremamente enriquecedora na minha vida. A diferença cultural e social são aspectos que me fizeram evoluir como professor e com certeza entender os alunos aqui é diferente de entender os alunos brasileiros. Outra mudança drástica foi o fato de eu ensinar em pequenas escolas no interior de SP no Brasil e aqui ensino na segunda maior cidade do país, no coração comercial da cidade em uma academia com uma quantidade absurda de alunos. Com certeza isso muda muito a sua percepção a respeito da profissão. Mas o mais importante é que gosto de dar aulas independente de onde esteja no mundo!


Omoplata: O que você pode dar como dica para quem um dia pretende ser um profissional do Jiu Jitsu?

Stefanutti: Primeiramente amar a profissão, gostar de ensinar e se dedicar a profissão. Usar aulas como um “bico”, algo que você faça só por dinheiro não te levará a excelência. Segundo é analisar todos os aspectos que respondi na pergunta se estava preparado para dar aulas e tentar cobrir todos eles. Se fizer isso com certeza já estará bem próximo de se tornar um bom profissional do Jiu-Jitsu !


Omoplata: Como profissional de Jiu JItsu, o que você já alcançou e o que ainda pretende alcançar?

Stefanutti: Alcancei principalmente a satisfação profissional, a alegria em trabalhar com o que amo. Acho que isso é a maior recompensa que posso ter. Em termos profissionais, sempre sonhei em dirigir uma academia bem sucedida e ter uma grande quantidade de alunos e isso consegui realizar. Sempre sonhei em ter professores associados a mim, também consegui realizar. Em termos esportivos consegui montar um time forte por aqui e estamos sempre entre os três primeiros nas competições mais importantes do continente, o que considero fantástico pra alguém que veio do interior de SP e iniciou um trabalho do zero por aqui. A conquista que mais me orgulho foi o segundo lugar por times no feminino no mundial nogi da IBJJF em 2013. Foi a primeira e única vez que um time da Austrália subiu no pódio por equipes no mundial da IBJJF. O que ainda pretendo alcançar é sempre continuar evoluindo e entregando um trabalho de excelência aos alunos e continuar vivendo do Jiu-Jitsu pra sempre ! Amo o Jiu-Jitsu


Omoplata: A Revista Omoplata te agradece pela participação e deseja muito sucesso na sua carreira que já é vencedora!

Stefanutti: Eu que agradeço a oportunidade e estou a disposição, grande abraço!


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