Entrevista exclusiva com a campeã mundial Larissa Dias do Dream Art


Publicado em 20/09/2020 por: Marcelo Melo



Irmãos de sucesso no Jiu Jitsu, já tivemos irmãos Mendes, irmãos Miyao e agora será que os próximos irmãos de sucesso na arte suave serão os irmãos Dias (Enderson e Larissa)?
Pelos títulos que já conquistaram há grandes probabilidades que serão, acreditando nisso a Revista Omoplata traz essa semana uma entrevista exclusiva com a dupla que hoje treina no Dream Art em São Paulo.


A entrevista foi dividida em duas partes, hoje na parte 1 vamos saber como foi a conversa com a faixa marrom Larissa Dias.


Confira a entrevista:


Omoplata: Como o Jiu Jitsu entrou na vida de vocês? E quando começou a treinar?

Larissa: Eu estava a procura de uma atividade física pois queria emagrecer e meu irmão já treinava há alguns meses jiu-jitsu e ele disse pra mim que o esporte era legal e que ajudava a emagrecer e resolvi fazer uma aula e me apaixonei.


Omoplata: E quais foram as dificuldades a serem superadas para estarem hoje onde estão? Teve alguma resistência por parte familiar ou outra que seja?

Larissa: A única dificuldade era a falta de suporte financeiro mesmo , meus pais sempre me apoiaram , tinham insegurança sim com relação ao esporte ser bom para meu futuro porém sempre me apoiaram sempre que podiam me ajudavam com inscrições entre outros porém não tinham condições de me sustentar no esporte mas eles faziam o melhor que podiam sempre.


Omoplata: Quais os títulos principais já conseguidos na carreira de vocês? E qual o mais especial e por que?

Larissa: 2x campeã world pro abu dhabi
Campeã mundial ibjjf
4 x campeã brasileira cbjj
4 x campeã sul americana cbjj
Acho que todos títulos foram especiais pois foram validando meu esforço e me dando mais motivação para continuar no esporte. acredito que os mundiais de Abu Dhabi e Califórnia foram os mais importantes.


Omoplata: Vocês saíram de uma equipe para outra, acredito que para buscar algo maior para a carreira de vocês. Porém muitas pessoas ainda são presas ao pensamento da fidelidade e lealdade ao primeiro mestre, acreditam que devem seguir com ele até o final. O que vocês pensam sobre esse pensamento?

Larissa: Acredito que o profissional de Jiu Jitsu deve sempre procurar o melhor para si, pois aquilo é o seu trabalho ele deve procurar a oportunidade onde ele é mais valorizado, sobre essa questão de lealdade e fidelidade acho que vai além de estar preso em equipe, por que eu acredito que ninguém troca um emprego bom para um pior mas sempre para um que lhe ofereça melhores condições, então se as pessoas acham que fidelidade e lealdade está atrelado a negar melhores oportunidades de crescimento e evolução profissional acho que não sabem o que realmente significam fidelidade e lealdade, mas acredito que tudo na vida deve ser feito com a direção de Deus e da forma correta, tudo ser conversado, e não sair sem dar satisfações, eu não costumo falar muito sobre esse assunto porém quando eu resolvi trocar de equipe eu chamei o dono da equipe gfteam e o meu professor Vinícius marinho para comunicar a eles sobre a oportunidade que eu havia recebido, agradeci por todo tempo ali e por tudo que eu aprendi e hoje faço parte da Dream Art.


Omoplata: Quais os principais motivos para uma mudança de equipe? Professores de melhor qualidade, companheiros de treino com melhores qualidades e mesmo objetivos, novas portas de oportunidade, ou um pouco de tudo isso?

Larissa: O motivo é que nem eu nem minha família tínhamos condições de sustentar meu sonho de ser atleta de Jiu Jitsu, viagens alimentação de atleta entre outros , no Dream Art eu recebi uma oportunidade ímpar para estar somente treinando e tendo custo zero com minha vida de atleta, lá temos todos campeonatos pagos, alimentação , a casa onde eu moro eles custeiam, pagam faculdade, curso de inglês, temos preparação física ou seja tem uma estrutura que não temos em lugar nenhum no mundo isso fora a qualidade técnica dos professores e parceiros de treino é um time de competição onde eu tenho junto com eles a possibilidade de crescer no esporte. E eles não pensam em somente formar campeões mas sim formar grandes pessoas por isso investem muito na educação de todos atletas!


Omoplata: Tem muitas pessoas que assistem futebol e nunca praticaram futebol, o MMA também tem um grande público e muitos nunca praticaram lutas. Com o Jiu JItsu isso não ocorre, a maioria das pessoas que assistem Jiu Jitsu são pelo menos praticantes ou já praticaram. Por que isso ocorre e o que precisa para mudar isso?

Larissa: Acho que em um futuro próximo isso vai mudar pois com tantos eventos e a valorização do jiu-jitsu eu creio que em breve teremos também essa visibilidade.


Omoplata: Vocês dois já tiveram experiências internacionais, como o público olha o Jiu Jitsu fora do Brasil?

Larissa: Olha como deveria ser olhado no Brasil com muito respeito e admiração , no Brasil os atletas ainda são muito desvalorizados e olhados como pessoas que tem vida fácil, que só vivem viajando ou etc... Como se a vida do atleta fosse perfeita e livre de dificuldades.


Omoplata: Qual o nível dos gringos comparado aos brasileiros?

Larissa: Como o Jiu Jitsu é brasileiro é normal ter mais praticantes brasileiros e atletas mas os gringos de uns tempos pra cá vem tendo ótimos resultados, até por que temos grandes academias lá fora e grandes professores brasileiros também.


Omoplata: Muitas pessoas não conseguem manter a calma em competições. Tem como manter a calma em competições? Se sim, o que é necessário para conseguir?

Larissa: O nosso corpo e a nossa mente tem uma grande capacidade de se adaptar as situações que frequentemente somos expostos e assim eu acredito que funciona no Jiu Jitsu, se você compete muito você começa a se acostumar e se adaptar àquela situação e consequentemente competir melhor, agora se você não compete muito é normal você ficar muito nervoso pois seu corpo e nem sua mente estão acostumados com aquela situação.


Omoplata: Muito obrigado pela participação e muito sucesso na carreira. Com certeza vamos ouvir falar muito de vocês!


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