Minha maior conquista no Jiu Jitsu foi poder viver dele - Cassão da GBBH


Publicado em 07/10/2020 por: Marcelo Melo




Em 2015 na Seletiva do ADCC em Barueri eu tive a oportunidade de conhecer o Cássio Francis “Cassão”, esse dia ele foi incrível, logo na primeira luta finalizou um dos atletas mais badalados daquele evento e foi ovacionado pela galera no ginásio. No final ainda foi campeão. Ainda naquele mesmo ano tive a oportunidade de fazer um treino na sua academia (Cassão Team) em Belo Horizonte e pude ver de perto o grande trabalho que ele faz com seus alunos, com certeza foi uma das melhores academias de competição que eu já treinei. Hoje estamos muito felizes de poder trazer para vocês uma entrevista com essa fera da arte suave.


Confira a entrevista:


Omoplata: Como você começou no Jiu Jitsu?

Cassão: Eu comecei no Jiu Jitsu assistindo o Royce Gracie no UFC, eu era muito magro e estava em busca de uma arte marcial que favorecesse os mais frágeis.



Omoplata: Quais considera suas maiores conquistas no Jiu Jitsu?

Cassão: A minha maior conquista no Jiu Jitsu foi poder viver dele.



Omoplata: O que é mais emocionante, ser campeão ou ver seu aluno ser campeão?

Cassão: Ver meus alunos serem campeões é mais emocionante. Sem dúvida nenhuma.



Omoplata: Seu foco ainda segue em competir em grandes eventos como atleta ou já tem outros objetivos no Jiu Jitsu?

Cassão: Na minha vida como atleta eu já conquistei muitas coisas, eu cheguei em um patamar que eu queria, meu foco hoje é poder ajudar as pessoas com o Jiu Jitsu e mudar a vida delas através da filosofia dele.



Omoplata: Você ficou mais de um ano parado e foi aposentado por dois médicos. Mesmo assim contrariou os médicos e voltou a competir entre os melhores do mundo. Como você conseguiu?

Cassão: No final de 2011 eu contraí três hérnias de disco na minha coluna lombar, fiquei parado um ano e meio me tratando. Tratei através do RPG, fiz fisioterapia e depois fui para o pilates. Acredito que consegui por ter muita fé em Deus e acreditar que as coisas dariam certo.



Omoplata: Na Federação Mineira de Jiu Jitsu tem a graduação de faixa amarela antes da faixa azul para maiores de 16 anos, algo que por exemplo não tem não na CBJJ e nem IBJJF. Você acha melhor esse sistema da Federação mineira?

Cassão: A Federação Mineira é a única que age dessa forma. Eu acho que seria interessante se todas as outras fizessem, mas como não são todas que fazem, eu não acho uma forma muito honesta de graduar os alunos, pois o aluno acaba ficando muito tempo como faixa branca (em competições por outras federações), isso faz com que ele chegue com mais condições na azul ou até mesmo competir melhor na branca. Então, não é que eu acho errado a forma da Federação Mineira, seria interessante se todos fizessem, como a maioria não faz, deveria ser seguido o que a maioria faz.



Omoplata: Hoje em dia existe um grande debate nas redes sociais sobre cobrar ou não cobrar graduação, alguns dizem que para graduar basta pagar, outros dizem que graduação é por tempo de faixa. O que você pensa sobre isso?

Cassão: Eu acho errado o aluno ser graduado só pelo dinheiro e interesse pessoal/profissional do professor. Eu acho que tem que cobrar sim, mas tem que cobrar quando a hora do aluno chegar e não de acordo com as necessidades financeiras do professor.



Omoplata: Você é líder da Cassão Team, uma das equipes mais fortes nas competições CBJJ/IBJJF, você recebe atletas/alunos vindo de outros lugares e também já vi atleta seu saindo para outro lugar, inclusive com mensagem de apoio sua. Muitas pessoas olham isso com maus olhos, chamam de “creonte” quem muda de equipe, qual sua opinião sobre isso?

Cassão: Esse assunto é muito delicado. Eu acho que mudar de equipe é um direito de todo mundo, principalmente o aluno que pensa em ganhar a vida com o Jiu Jitsu, eu não posso ser egoísta o bastante, me esconder atrás desse termo (creonte) e oprimir os alunos que não estão felizes do meu lado ou dentro do meu time, eu realmente não acredito nesse termo, acho que isso é mal aplicado e até trava a evolução do Jiu Jitsu, por principalmente dois motivos; porque impede de se tornar um esporte profissional; e também porque isso traz uma tranquilidade para o professor, como o aluno é obrigado a ficar onde ele começou, o professor não se dá ao trabalho de ensinar um treino legal, de ensinar o Jiu Jitsu de qualidade, ele trabalha do jeito que ele quiser, da forma que ele quiser e o aluno é obrigado a aceitar aquilo. Então eu acho errado essa forma de pensar, isso tem mudado e vai mudar mais, pois o Jiu Jitsu está se profissionalizando. Para mim essa palavra (creonte) não existe.



Omoplata: A maioria do público do Jiu Jitsu é formado por praticantes, ex-praticantes ou pessoas de alguma forma ligada a ele. O que deveria ser feito para atingir um público de pessoas que não são envolvidas com o Jiu Jitsu?

Cassão: Eu acho que tinha que profissionalizar o Jiu Jitsu e acabar com qualquer tipo de mídia que degrade o nome do esporte e os praticantes, também valorizar mais os atletas, assim os próprios atletas se sentiriam mais confortáveis em levar seus familiares e amigos para os campeonatos.



Omoplata: A Revista Omoplata agradece sua participação, é uma grande honra poder fazer essa entrevista!

Cassão: Grande abraço e sucesso!


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